Livre de palavras ácidas. Era com este pensamento que Lilith caminhava pelo acostamento da rodovia. Não precisaria mais se humilhar por um prato de comida. Vitória do livre-arbítrio. A cada passo, um sorrisinho brotava de seus lábios. Os olhos não desgrudavam da linha reta. Jamais voltaria para aquele lugar. Jamais ouviria os mesmos insultos. Jamais. Era preciso virar a página, um clichê que não cansava de entoar para si. Apenas a roupa do corpo a acompanhava. Sem malas, sem relíquias, sem dinheiro. Nem sonhos para lhe fazer companhia, somente a certeza de ir em frente.
Rodovia da morte
Por Pablo Pereira

Siga-nos: